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Cantagalo cadastra projeto de construção de sistema de abastecimento de água na Funasa


Objetivo é a captação de água no Rio Negro, num investimento estimado de mais de R$ 16 milhões. Projeto também beneficiaria parte de Cordeiro

A Prefeitura de Cantagalo cadastrou, no Sistema Integrado de Gerenciamento de Ações (Siga), da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), órgão do Ministério da Saúde, projeto de construção de uma estação de abastecimento de água que captaria recursos hídricos do Rio Negro, o que desvincularia o município do sistema de abastecimento atual, que atende, simultaneamente, os municípios de Cantagalo e Cordeiro, através de um estação de tratamento de água (ETA) instalada na cidade de Cordeiro, sob responsabilidade da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos). A ETA de Cordeiro capta água do Rio Macuco, à altura de Monnerat, segundo distrito de Duas Barras, que também é atendido pelo mesmo manancial.

De acordo com o prefeito Saulo Gouvea, o projeto tem uma estimativa de investimento de R$ 16.150.477,35, valores com base em junho deste ano. A obra, assim que iniciada, teria prazo de 12 meses para a conclusão.

– Estamos em busca de recursos, pois a Prefeitura não tem como arcar com esse investimento. Esse projeto ganhou ainda mais força depois da crise hídrica que estamos enfrentando, afetando o atual sistema de abastecimento, que teve sua vazão drasticamente reduzida não só pela questão da crise, mas, também, em virtude do próprio crescimento populacional das duas cidades ao longo dos anos – explicou Saulo Gouvea, acrescentando que a estação de abastecimento de Cantagalo foi projetada para também atender parte da vizinha cidade de Cordeiro, o que resolveria não só problema de uma cidade como ainda desafogaria o abastecimento da outra.

Conforme o memorial descritivo do projeto, a estação, com capacidade de tratamento de 90 litros por segundo, captaria água do Rio Negro através de uma adutora de água bruta de 1,5 mil metros de extensão. Também faz parte do projeto a construção de uma elevatória de água tratada com capacidade de 90 litros por segundo, assentamento de adutora de água bruta com extensão de mil metros, tronco de distribuição com 1.150 metros de extensão, construção de reservatório com capacidade para dois mil metros cúbicos e assentamento de rede de distribuição com diâmetro de 50mm e 75 mm, com extensão de 2.124 metros nos bairros São José, Santo Antônio e Cantelmo.

– Trata-se de um empreendimento que irá atender a uma população de cerca de 30 mil habitantes entre a sede do município de Cantagalo e parte do município de Cordeiro, contemplando um crescimento populacional de aproximadamente 30 anos – reforça o prefeito na justificativa enviada à Funasa.

CRISE HÍDRICA – Semana passada, a Cedae enviou ofício ao prefeito Saulo Gouvea solicitando intervenção da Prefeitura na divulgação e conscientização da população quanto ao consumo cada vez mais consciente de água.

De acordo com a empresa, a captação de água que abastece as cidades de Cordeiro e Cantagalo, que é feita no Rio Macuco, altura de Monnerat, está enormemente prejudicada pela falta de chuva, pelo prolongamento do período de estiagem e pelas altas temperaturas, agravada pela falta de consciência das pessoas na utilização da água tratada.

A ETA instalada em Cordeiro opera por gravidade na captação de água em Monnerat, cuja adutora tem capacidade de 120 litros por segundo, somados aos 14 litros por segundo utilizados por Monnerat, o que eleva essa vazão para 134 litros por segundo. Com a crise hídrica, esse volume caiu para 110 litros por segundo, o que representa a chegada ao limite da capacidade do Rio Macuco, inviabilizando a adequação das vazões desse sistema ao crescimento populacional das duas cidades – Cantagalo e Cordeiro – e do distrito de Monnerat.

Por causa da gravidade do problema, a Cedae alerta a população a não utilizar água na lavagem de automóveis, de calçadas e de casa, principalmente utilizando mangueiras. Além disso, deve-se evitar molhar jardim com mangueiras, pois o desperdício de água é muito grande e ela vai faltar, já que a empresa será obrigada a promover medidas de racionamento.

Redação: Gilmar Marques

Foto: Divulgação