Colaboradores:

Centenas de manifestantes contra a UHE em Itaocara


Na tarde desta terça-feira, dia 17/11, centenas de manifestantes participaram de um ato contra a UHE Itaocara I. A manifestação pacífica foi organizada pelos moradores que serão diretamente afetados pela construção da UHE Itaocara, principalmente os que residem em Porto Marinho, e contou com o forte apoio do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), da Colônia de Pescadores de São Fidélis e de outras associações e movimentos.

Segundo organizadores, a manifestação chegou a reunir cerca de 300 manifestantes durante o auge. O grupo se concentrou por volta das 14h no Porto das Barcas, em Aperibé, e seguiu em direção à Itaocara, onde percorreram algumas ruas do Centro antes de continuarem a passeata rumo à sede do Consórcio UHE Itaocara I, no bairro Jardim da Aldeia.

Por conta da manifestação, a Ponte Ary Parreiras, única ligação das cidades de Itaocara e Aperibé, foi interditada em ambos sentidos, o que gerou um congestionamento, principalmente em Itaocara sentido Aperibé. Já no Centro da cidade, a Guarda Civil Municipal de Itaocara, tentavam controlar o trânsito, que ficou caótico por conta do congestionamento na São José e das interdições na Avenida Presidente Sodré e as Ruas Marechal Floriano Peixoto e Coronel Pita de Castro, justamente as mais movimentadas de Itaocara.

A Guarda Civil Municipal, juntamente com a Polícia Militar, deu total suporte ao ato, garantindo o direito da população se manifestar de forma pacífica e ordeira.

Durante a passeata, os manifestantes fizeram uma parada em frente a Prefeitura Municipal de Itaocara, e queriam conversar com o Prefeito, mas eles não tiveram êxito pois o Gelsimar estava viajando.

De acordo com Davi Honório, Presidente da União dos Atingidos por Barragens - Unab, o município de Itaocara, não possui uma infraestrutura suficiente para suportar os impactos do empreendimento. Davi citou o Hospital de Itaocara, que encontra-se sobrecarregado, além do possível aumento da criminalidade. Ainda segundo Davi, além de Itaocara, os demais municípios precisam ser reestruturados antes da obras começarem.

Os manifestantes carregavam faixas com dizeres de que não eram contra o progresso, mas que irão lutar pelos seus direitos. Um pouco mais radical, Davi é totalmente contra a construção da UHE Itaocara. Ele conta que deseja transformar Porto Marinho em patrimônio cultural, em virtude da história e lendas daquela localidade.

Já o Presidente da Colônia de Pescadores de São Fidélis, Sirley Ornelas, os pescadores serão extremamente prejudicados. Segundo Sirley, o consórcio quer indenizar os pescadores apenas um ano após do início de operação da Hidrelétrica de Itaocara I, entretanto, os pescadores já serão afetados bem antes do que isso, desde o começo das obras.

Após horas de passeata, o grupo de manifestantes se concentrou em frente a sede da UHE e integrantes discursaram contra a UHE Itaocara. Eles cobravam respostas dos representantes do Consórcio. Os agricultores disseram que as terras de Porto Marinho precisam ser valorizadas. "É de lá que se produz o que é consumido na cidade. Energia é bom sim, mas não enche barriga", disse um produtor rural que será atingido.

"Casa de Saúde não atende pobre e o Hospital não consegue atender a demanda. Temos um Prefeito mole em Itaocara, com uma Prefeitura falida e não tenho medo em falar isso. Não há como comportar mais pessoas em Itaocara" - desabafou Eliane de Paula, que também terá sua propriedade inundada pela barragem.

A pauta com as reivindicações propostas pelos manifestantes foi assinada pelos representantes do Consórcio, que disseram que estão sempre abertos ao diálogo.

Fonte e Fotos: Seylor Ornellas/Folha Itaocarens

Por Adriano Teixeira